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A página da UNESP apresenta uma entrevista com o historiador Alberto Aggio, professor no campus de Franca, especialista em história latino-americana e que esteve recentemente na Itália, a convite do Partido Democrático da Itália, e na Espanha, no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, para debater, entre outros temas, a questão democrática na América Latina e no Brasil. Na mesma página, se pode acessar o artigo “Um lugar no mundo pela via da democracia” que serviu como referência para a conferência na Espanha.

A entrevista e o artigo interessam ao estudioso da política latino-americana por trazer uma análise em perspectiva histórica, buscando identificar tendências no processo político latino-americano das últimas cinco décadas. Por privilegiar a relação entre política e história, o artigo pode ser percebido como um contraponto às abundantes abordagens institucionalistas desenvolvidas nas universidades brasileiras sob o ângulo da Sociologia Política e da Ciência Política.

A preocupação de Aggio está em identificar o momento preciso em que a democracia passa a se situar como o eixo das interpretações sobre a “vocação histórica” da região lantino-americana e da prática política nas relações entre Estado e sociedade civil. Para o autor, isso ocorreu na conjuntura pós-1970, quando os atores políticos situados tanto à esquerda quanto à direita iniciam sua conversão à centralidade democrática: “Do fato e da sedução pela revolução, tão poderosa nas décadas de 1960 e 1970, passou-se à tematização da democracia, em suas diversas dimensões, ainda que no início ela fosse percebida mais como uma esperança difusa do que como uma realidade política complexa. A partir dessa clivagem, pela primeira vez na história do continente, a democracia ganha centralidade, superando o tratamento instrumental que lhe foi historicamente dedicado tanto à direita quanto à esquerda.”

Para Aggio, esse processo rumo à democracia se mantém incompleto, posto que permanece na modernidade latino-americana “a fratura entre democracia política e democracia social”, algo a ser superado pela práxis política.

Ao diagnosticar esse problema, Aggio não deixa de explicitar também qual seria o ator político ideal a superar os desafios colocados ao aprofundamento da democracia na América Latina, ou seja, “uma esquerda com vocação de governo, identificada como democrática, moderna e reformista”. Percebe-se na análise e na proposição política de Aggio uma continuidade da corrente política oriunda do PCB na transição dos anos 70 para os 80, que foi simplificadamente designada à época como “eurocomunista” e que, calcada em uma leitura particular de Gramsci e influenciada pela política do Partido Comunista Italiano na década de 70, assumiu o reformismo democrático como sua linha de interpretação e proposição política para o Brasil e a América Latina.

A entrevista pode ser acessada em: http://unesp.br/noticia.php?artigo=8076.

E o artigo em: http://www.unesp.br//noticia.php?artigo=8064.