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Em 21 e 22 de abril de 2012, ocorreu em Bogotá a Marcha Patriótica, contando com a participação de cerca de 85 mil manifestantes e 1.700 organizações da sociedade civil colombiana, de trabalhadores urbanos, camponeses, indígenas e estudantes. O ato na capital colombiana foi marcado pelos protestos contra a militarização do país e as políticas econômicas neoliberais. É a mais recente manifestação favorável à solução política do conflito armado na Colômbia, por meio de negociações de paz. O principal resultado da marcha foi a criação do Conselho Patriótico Nacional, uma frente política que tem, entre suas principais lideranças, a ex-senadora Piedad Córdoba, a senadora Gloria Inés Ramírez, Gloria Cuartas e Jaime Caycedo. A intenção é que o movimento se transforme em um novo partido de esquerda na Colômbia.

A constituição da frente é uma reação ao presidente Juan Manuel Santos, que lançou o Plano Espada de Honra, com os mesmos objetivos do Plano Colômbia, de combate ao narcotráfico e aos grupos insurgentes. Entre as propostas, está a convocação de uma Assembleia Constituinte que concretize um novo pacto político para o país.

Essa nova frente de esquerda na Colômbia surge num contexto de desaparecimento de líderes de movimentos camponeses e sindicais, militarização dos conflitos políticos e concentração de terras.

Antes da realização da marcha, houve o desaparecimento do líder camponês Hernán Henry Díaz, responsável por organizar 200 camponeses do departamento de Putumayo que iriam à Bogotá. Dados de fundações como a World Organisation Against Torture (OMCT) já indicavam a persistência dos casos de violência estatal ou paramilitar no país nos anos 2000. A Colômbia destinou 3,71% do seu PIB a gastos militares em 2010, proporção equivalente ao que foi destinado à educação. Além disso, foram US$ 8 bilhões investidos entre 2002 e 2012 em operações militares provenientes de recursos norte-americanos por meio de programas como o Plano Colômbia.

 Ao mesmo tempo, dados de 2011 do PNUD mostram o grau de concentração de terras na Colômbia. O índice de Gini para a concentração da posse da terra é de 0,85 (numa escala de 0 a 1). Só 1,15% da população detêm 52% da propriedade das terras, num país com, segundo o censo de 2005, 75,5% de municípios rurais, abrangendo 94,4% do território colombiano. Com isso, o número de expulsos de seus locais de moradia foi de 3,6 milhões entre 1998 e 2011, sendo que 65% eram menores de 25 anos.

O PNUD mostra ainda que, dos 21,5 milhões de hectares de terras agricultáveis para a produção de alimentos na Colômbia, só 22,7% estão aptos ao cultivo. Por outro lado, 31,6 milhões de hectares se destinam à pecuária bovina. A área ocupada pelo cultivo da coca é irrisória em comparação com a da pecuária: 86.300 hectares em 2003, segundo o Escritório de Crime e de Drogas das Nações Unidas (UNDCP).

A seguir, algumas fontes para mais informações sobre a Marcha Patriótica:

http://www.marchapatriotica.org/index.php?option=com_content&view=frontpage&Itemid=92

A questão agrária na Colômbia:

http://pnudcolombia.org/indh2011/pdf/informe_completo_indh2011.pdf

A militarização do país:

http://www.omct.org/files/2004/06/2421/stateviolence_colombia_04_esp.pdf

E o conflito armado colombiano:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142005000300010&lng=en&nrm=iso&tlng=pt