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Nesta semana, diversos meios de comunicação anunciaram a saída da rede McDonald’s e da Coca-Cola da Bolívia. O McDonald’s encerraria suas operações devido à falência de oito restaurantes, após 14 anos de tentativas infrutíferas de se instalar no país. Já a Coca-Cola seria obrigada a encerrar suas atividades até 21 de dezembro de 2012. Conforme noticiado, a decisão foi anunciada pelo ministro das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, e em “sintonia com o calendário maia fará parte das celebrações do fim do capitalismo e do início da cultura da vida”. No entanto, a Agência Boliviana de Informação (ABI) negou as afirmações ao declarar que o ministro foi mal interpretado e que a frase foi utilizada como metáfora para as celebrações do fim do calendário maia.

Devido a esta confusão, foi anunciada também a saída do McDonald’s, mas a rede de fast-food já não funcionava no país desde 2002. A informação é significativa, tendo em vista que a Bolívia é o segundo país latinoamericano, depois de Cuba, onde a rede de fast-food não opera e o primeiro a extingui-la por motivos comerciais. Tais dados apontam que o consumo de produtos industrializados não teve aceitação em um país com população majoritariamente indígena e camponesa com tradição alimentícia baseada no consumo de produtos locais e tradicionais, como assinala a declaração de Cochabamba sobre “Segurança alimentar com soberania nas Américas”, de 5 de junho de 2012.

Mesmo que tais afirmações tenham sido negadas oficialmente fica a questão se elas representam de fato uma tensão no Estado boliviano entre forças pró-nacionalistas e o capital estrangeiro ou se as informações são uma estratégia dos meios de comunicação para relacionar forçosamente as tendências políticas de Evo Morales a de Hugo Chávez, já que em julho de 2012 o presidente venezuelano, em discurso televisionado, pediu que a população consumisse Uvita (bebia de uva produzida por uma empresa estatal) ao invés de Coca-Cola e fechou 19 estabelecimentos da rede McDonald’s por problemas tributários.

Por Ana Carolina Ramos